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Ministério da Saúde - MS
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II Encontro Regional sobre ações de prevenção da obesidade infantil 

Data de publicação: 07/06/2019


Evento debateu ações da Década de Ação das Nações Unidas para Nutrição


A obesidade infantil é uma epidemia global, atingindo cerca de 40 milhões de crianças de 0 a 5 anos, que já sofrem uma situação de sobrepeso. O tema foi debate no II Encontro Regional sobre Ações de Prevenção da Obesidade Infantil no âmbito da Década de Ação das Nações Unidas para Nutrição, que foi realizado na segunda-feira e na terça-feira-feira (3 e 4 de junho). Participaram do encontro representantes dos governos da Argentina, Belize, Bolívia, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, Granada, México, Panamá, Peru e Uruguai, membros da academia e da sociedade civil.

Na ocasião, as delegações reiteraram a importância do Plano de Ação da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) para a Prevenção da Obesidade em Crianças e Adolescentes 2014-2019. O plano apresenta cinco linhas de atuação, incluindo atenção primária à saúde e promoção do aleitamento materno e da alimentação saudável, a melhoria dos ambientes de nutrição e da atividade física escolar, políticas fiscais e regulamentação do marketing e da rotulagem de alimentos.

Coordenadora de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde, Michele Lessa falou da importância de avançar na agenda e contribuir para o cumprimento dos compromissos assumidos na Declaração de Roma e no âmbito da Década de Ação das Nações Unidas para Nutrição (2016-2025). “A resolução tem o objetivo de desencadear uma ação intensificada para acabar com todas as formas de má nutrição em todo o mundo, além de assegurar o acesso universal a dietas mais saudáveis e sustentáveis para todas as pessoas, sejam elas quem forem e onde quer que vivam”, explicou a doutora em nutrição social.

Socorro Gross, representante da OPAS e da Organização Mundial da Saúde (OMS) no Brasil, ressaltou que a obesidade infantil tem raízes em vários fatores — o que exige uma resposta intersetorial. A especialista elencou medidas já reconhecidas em publicações internacionais para o combate à epidemia global de sobrepeso. “Podemos citar como exemplos os impostos sobre bebidas adoçadas, a regulamentação da publicidade de alimentos ultraprocessados para crianças, a implementação da rotulagem frontal de advertência, a promoção da atividade física e o incentivo ao aleitamento materno”, afirmou a dirigente.

O ministro da Saúde também defendeu que o incentivo ao hábito saudável envolva outros setores. “Sabemos que é preciso envolver outros agentes, como a economia, a agricultura, a política de educação, a política de esportes. Há uma série de pontes que precisam ser construídas para que a gente possa gradativamente ir reposicionando não só o Brasil, mas o mundo, na adoção de hábitos de vidas saudáveis”, ressaltou Mandetta.

Também presente na abertura do evento, Rafael Zavala, representante da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) no Brasil, lembrou o fato de que quatro países das Américas — entre eles, o Brasil — estão na lista dos dez primeiros com maior número de pessoas obesas no mundo. Para o especialista, o cenário é preocupante e exige uma resposta urgente. “Temos um desafio no contexto de globalização da obesidade: ter maior oferta de alimentos saudáveis e sistemas alimentares sustentáveis. Nós precisamos reinventar as culturas alimentares”, ressaltou o dirigente nacional da agência da ONU.

Florence Bauer, à frente do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) no Brasil, alertou que a obesidade tem crescido durante a primeira infância. “A obesidade e o sobrepeso são um fenômeno global. No mundo, 40 milhões de crianças de zero a cinco anos já estão sofrendo com sobrepeso. Além dos tradicionais impactos na saúde física, o problema pode trazer prejuízos para a saúde mental dos jovens”, defendeu a representante. 

Daniel Balaban, diretor do Centro de Excelência contra a Fome das Nações Unidas, explicou que a redução do poder aquisitivo das famílias pode estar associada à obesidade.“Quando as pessoas começam a ter menos condições de consumir, acabam ficando obesas. Isso acontece porque os alimentos mais acessíveis são aqueles que mais fazem mal à saúde, que têm mais açúcar e sódio, os ultraprocesados que estão em todas as prateleiras de supermercados”, frisou o especialista.

O encontro regional teve a participação da OPAS, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e do Centro de Excelência da ONU contra a Fome.

Confira as apresentações realizadas na abertura do II Encontro 

The Global Syndemic of Obesity, Undernutrition, and Climate Change

Panorama: Alimentação e Nutrição

Agenda de prevenção da obesidade na infância e adolescência - UNICEF Brasil 

Fotos - II Encontro Regional sobre ações de prevenção da obesidade infantil


Estudo ajudará a identificar a obesidade infantil

O Ministério da Saúde começou a bater à porta de 15 mil domicílios brasileiros em 123 municípios que abrigam crianças menores de 5 anos. Esses lares foram selecionados para participarem do Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI), que busca mapear a situação de saúde e nutrição de crianças em todo o país, com informações detalhadas sobre hábitos alimentares, crescimento e desenvolvimento. Essas informações ajudarão na construção de políticas públicas e estratégicas de promoção da saúde.
Os pesquisadores que estão indo aos lares brasileiros estão identificados com camisas e crachás com o nome e a fotografia, além do logotipo do Ministério da Saúde. Assim que chegar no local, o entrevistador explicará os procedimentos e entregará um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, com detalhes da pesquisa e orientações de como entrar em contato com a coordenação para tirar dúvidas, incluindo a opção gratuita de ligar para o telefone 0800 808 0990. A participação é voluntária e os dados são sigilosos.

 


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