Buscar
  
  

Ministério da Saúde - MS
Secretaria de Atenção à Saúde - SAS
Departamento de Atenção Básica - DAB

 

Semana do Servidor no Ministério da Saúde acontecerá de 23 a 27 de outubro

Data de publicação: 21/10/2017


Voltadas à promoção do autocuidado, as atividades da Semana do Servidor serão realizadas nas unidades sede, anexo, SIA 1, SIA 7 e PO 700.


Reiki, meditação, arteterapia. Qual a relação dessas práticas com a saúde? Tema da Semana do Servidor de 2017, que ocorrerá de 23 a 27 de outubro, nas unidades do Ministério da Saúde, em Brasília (confira aqui a programação), os tratamentos classificados como Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) buscam estimular os mecanismos naturais de prevenção de doenças, recuperação e promoção da saúde.

Para o consultor de Práticas Integrativas e Completares em Saúde (DAB/SAS/MS), Daniel Amado, a escolha do tema pela Coordenação de Atenção à Saúde e Atendimento de Pessoas (COSAP/CGESP/SAA/SE/MS) contribui para que o servidor do Ministério da Saúde possa cuidar de sua saúde e refletir sobre a gestão do sistema de saúde.

Confira entrevista com Daniel Amado:

O que são os tratamentos classificados como práticas integrativas e complementares (PICS)?

São sistemas e recursos terapêuticos que buscam estimular os mecanismos naturais de prevenção de doenças, recuperação e promoção da saúde. As PICS têm uma visão ampliada do processo saúde/doença e da promoção global do cuidado humano, especialmente do autocuidado. Os diagnósticos são embasados no indivíduo de forma integral, ou seja, considerando aspectos físicos, psíquicos, emocionais e sociais. Essas terapêuticas contribuem para a ampliação do modelo de atenção à saúde, pois enxergam o indivíduo na sua integralidade, singularidade e complexidade, avaliando a inserção sociocultural e fortalecendo a relação profissional de saúde/usuário.

Quais são eles?

Instituídas por meio da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares, podemos ressaltar 19 práticas: Homeopatia, Medicina antroposófica, Termalismo/crenoterapia, Medicina Tradicional Chinesa/Acupuntura, Fitoterapia, Arteterapia, Meditação, Musicoterapia, Naturopatia, Osteopatia, Quiropraxia, Reiki, Terapia Comunitária Integrativa, Dança circular, Biodança, Yoga, Ayurveda, Reflexoterapia, Shantala. Entretanto, há um número grande de outras práticas integrativas e complementares em saúde que vêm sendo ofertadas na rede pública de saúde dos estados e municípios, assim como na rede privada.

Quem pode ter acesso a esses serviços?

Os serviços são ofertados para a população em todos os pontos da rede de atenção à saúde pelo SUS. As PICS integram o Piso da Atenção Básica (PAB) de cada município, podendo o gestor local aplicá-los de acordo com sua prioridade. Em 2016, foram registrados mais de 8.200 estabelecimentos de saúde que ofertavam pelo menos uma das práticas integrativas na atenção básica e 1.270 de serviços em funcionamento na média e alta complexidade, totalizando 9.470 estabelecimentos de saúde no país. Atualmente a oferta de serviços de PICS está presente em 3.097 municípios, perfazendo 56% dos municípios brasileiros.

Há evidências científicas sobre a eficiência dessas práticas?

Desde a publicação da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS – PNPIC, em maio de 2006, a procura e o acesso de usuários do SUS a essas práticas de cuidados em saúde têm crescido exponencialmente. Esse crescimento deve-se a diversos fatores, entre eles, o maior reconhecimento dessas práticas pelas evidências científicas produzidas e por sua efetividade pragmática facilmente verificável pelos beneficiados; o crescente número de profissionais capacitados e habilitados; o reconhecimento e a valorização dos conhecimentos tradicionais de onde se originam grande parte destas práticas, sendo reconhecidas pela Organização Mundial da Saúde, que orienta e incentiva os Estados Membros a implementarem as medicinas tradicionais e complementares – conhecidas no Brasil como práticas integrativas e complementares em saúde – PICS - em seus sistemas nacionais de saúde, como tem feito o Brasil nos últimos 11 anos.

Como é a procura e o acesso dos usuários do SUS a esses procedimentos?

O Departamento de Atenção Básica (DAB), do Ministério da Saúde, incentiva a adoção das PICS inicialmente a partir do mapeamento da demanda no território também levando em consideração suas características regionais, preservando a autonomia dos entes federativos para incrementar as práticas integrativas ofertadas. Os estados e  os municípios podem instituir sua própria política, considerando suas necessidades locais, sua rede e processos de trabalho. A publicação da PNPIC serviu de referência para estados e municípios, ao longo dos anos, elaborarem suas políticas de práticas e/ou regulamentação para os serviços de práticas integrativas e complementares na rede pública de saúde, por meio de normas, portarias e leis. Atualmente, 78% dos atendimentos em PICS são ofertados na atenção básica, principal porta de entrada do usuário no SUS, 18% na atenção especializada e 4% na atenção hospitalar.

Como estas práticas podem desenvolver o hábito do autocuidado e ampliar a visão do processo saúde-doença?

As PICS estão associadas diretamente com a promoção da saúde e enfatizam a transformação das condições de vida e de trabalho que conformam a estrutura subjacente aos problemas de saúde; além disso, trazem em seu arcabouço terapêutico, elementos considerados essenciais para proporcionar melhor qualidade de vida para as pessoas, como o estímulo ao autocuidado e à visão ampliada do processo de saúde-doença, considerando a multicausalidade. Com o cuidado em saúde por meio das PICS, o sujeito é visto além da sua dimensão biológica, de forma global não desassociando mente, corpo e espírito, trazendo o indivíduo para o centro do processo terapêutico.

Qual a importância de falar sobre as práticas integrativas e complementares para os trabalhadores do MS durante a Semana do Servidor?

A Semana do Servidor é um espaço de reflexão e cuidado, com o intuito de valorização do trabalhador para reflexão sobre a construção de espaços de relações mais saudáveis. Nesse sentido, as práticas integrativas e complementares contribuem para que o servidor do Ministério da Saúde possa cuidar de sua saúde e refletir sobre a gestão do sistema de saúde. Para além disso, as PICS são consideradas tecnologias de saúde eficientes para o desenvolvimento do SUS e também seguras, configurando-se como potentes instrumentos de ampliação da cobertura e mudança de cultura do cuidado em saúde e devem ser considerados uma dimensão fundamental para a promoção, prevenção de agravos e reabilitação no SUS.